domingo, 21 de abril de 2013

FOTOMETRAGEM E EXPOSIÇÃO

Saber como a sua câmera digital faz a fotometragem é crítico para atingir exposições consistentes e precisas. A fotometragem é a maneira pela qual a sua câmera determina a abertura e velocidade no momento em que uma foto é feita, baseando-se nas condições de luz e o ISO. Os modos de fotometragem normalmente incluem: parcial, por zona, matricial, evaluativa, com peso no centro e fotometragem pontual. Cada um desses modos é mais (ou menos!) indicado para determinadas condições de luz. Compreender cada uma dessas condições pode melhorar a intuição fotográfica de como a câmera mede a luz.


Introdução: luz incidente vs. luz refletida


Todos os fotômetros embutidos nas câmeras têm uma característica fundamental: eles só podem medir a luz que é refletida. Isso significa que o melhor que eles podem fazer é calcular quanta luz está realmente atingindo o sujeito sendo fotografado (em oposição a medi-la diretamente).
incident vs. reflected light meters

Se todos os objetos refletissem a mesma porcentagem de luz incidente então não haveria nenhum problema com esse tipo de fotometragem, mas os objetos do mundo real tem refletância muito diferentes. Por esse motivo os fotômetros embutidos em câmeras são padronizados baseados na quantidade de luz que seria refletida por um objeto com a aparência do chamado 'cinza médio'. Se a câmera é mirada diretamente para qualquer objeto mais claro ou mais escuro que o cinza médio, o fotômetro irá, incorretamente, calcular sub ou super-exposição, respectivamente. Um fotômetro de mão, por outro lado, calcularia a mesma exposição para qualquer objeto sob uma mesma luz.

Aproximações* de 18% de luminância:
     
     
     
     
18% Cinza
18% Tom Vermelho
18% Tom Verde
18% Tom Azul

*Mais preciso quando se usa um monitor que imita o espaço de cor sRGB
e que esteja calibrado corretamente.
Os monitores emitem (e não refletem) a luz e essa também é uma limitação fundamental.

Mas, afinal, o que é o cinza médio? Na indústria de impressão ele é padronizado como a densidade de tinta que reflete 18% da luz incidente, mas câmeras raramente aderem a esse padrão. Esse tópico mereceria uma discussão especial, mas no escopo desse tutorial basta saber que cada câmera tem um padrão que fica entre os tons médios de cinza (algo como ~10-18% de refletância). Fotometrar com base num objeto que reflete mais ou menos luz do que isso pode fazer com que o algoritmo de fotometragem da sua câmera fique um pouco 'confuso' -- indicando sub ou super-exposição, respectivamente.













Todos os fotômetros embutidos em câmeras podem funcionar surpreendentemente bem se a refletância dos objetos sendo fotografados for bem diversa na cena sendo fotografada. Em outras palavras, se houver uma amostragem balanceada variando de objetos escuros a objetos claros, então a refletância média ficará mais ou menos no cinza médio. Infelizmente, algumas cenas podem ser muito desbalanceadas na refletância do sujeito da foto; por exemplo uma pomba branca na neve, ou um cachorro preto em uma pilha de carvão. Nesses casos a câmera pode tentar criar uma imagem com um histograma cujo pico primário fica nos meios-tons, apesar de dever ter colocado esse pico nos brilhos ou nas sombras (ver "Histogramas 'high-key' e 'low-key'").

Opções de fotometragem


Para expor corretamente uma grande gama de combinações de sujeitos e refletâncias, a maioria das câmeras possui diversas opções de fotometragem. Essas opções funcionam ao se designar um peso a diferentes regiões de luz; aquelas com maior peso são consideradas com maior relevância para a iluminação da cena e, assim, contribuem mais para o cálculo final da exposição.
Peso no CentroParcialPontual
As áreas da fotometragem parcial ou pontual são aproximadamente 13.5% e 3.8% da área da imagem, respectivamente (essas são as configurações de uma câmera Canon EOS 1D Mark II).

As regiões brancas são as que mais contribuem para o cálculo da exposição, enquanto que as áreas pretas são ignoradas. Cada um dos diagramas acima também pode ser deslocado do centro do quadro de fotometragem, dependendo das opções de fotometragem e do ponto utilizado para o auto-foco.


Algoritmos mais sofisticados podem até ir além da fotometragem por mapa de região e incluem: 'evaluativa', por zona ou matricial. Esses são normalmente os padrões quando a sua câmera está no modo de exposição automática. Esses modos geralmente funcionam dividindo a imagem em várias sub-seções onde cada seção é então considerada em termos de sua posição relativa, intensidade de luz ou cor. A posição do ponto de auto-foco e a orientação da câmera (retrato ou paisagem) também podem contribuir para os cálculos.

Quando usar fotometragem parcial ou pontual?


Fotometragem parcial ou pontual dão ao fotógrafo muito mais controle sobre a exposição que qualquer outra opção, mas isso também significa que elas são um pouco mais difíceis de serem utilizadas -- pelo menos no começo. Elas são úteis quando há um objeto relativamente pequeno dentro de sua cena que você quer que esteja exposto corretamente, ou sabe que ele representa a cor mais próxima de um cinza médio dentro da cena.

Uma das aplicações mais comuns da fotometragem parcial é um retrato de alguém iluminado por trás. Fotometrar na face do sujeito pode ajudar a evitar a impressão de que a pessoa é só uma silhueta contra um fundo iluminado. Por outro lado, muito cuidado deve ser tomado já que a cor da pele de uma pessoa pode levar a uma exposição incorreta se ela for muito diferente de uma refletância neutra cinza -- mas, provavelmente, não tão incorreta quanto o resultado obtido pela fotometragem na luz de fundo.


Fotometragem pontual é muito menos usada pois a área de medição é muito pequena e, por isso, muito específica. Isso pode ser uma vantagem quando você não tem certeza da refletância de um objeto e possui um cartão cinza específico para utilizar como base para os cálculos fotométricos.














Esses tipos de fotometragem também são muito úteis para realizar exposições um pouco mais criativas e quando a luz ambiente é muito pouco usual. Nos exemplos abaixo poderia-se fotometrar os tijolos iluminados difusamente no primeiro plano (foto da esquerda) ou diretamente nos tijolos iluminados pelo sol logo abaixo da abertura que leva ao céu (foto da direita).


               









Notas sobre fotometragem com peso no centro


Houve uma época na qual a fotometragem com peso no centro era um padrão muito comum em câmeras pois podia lidar bem com céus claros sobre uma paisagem escura. Hoje em dia ela foi mais ou menos substituída pelas fotometragens evaluativa e matricial, e em especificidade pela parcial e pontual. Por outro lado, os resultados produzidos pela fotometragem com peso no centro são mais facilmente previsíveis, enquanto que os modos de fotometragem matriz e evaluativa têm algoritmos que são mais complicados de serem previstos; não permitindo ao fotógrafo saber exatamente o resultado que vai obter. Também por esse motivo algumas pessoas preferem utilizar fotometragem com peso no centro como padrão.

Compensação da exposição


Qualquer um dos métodos de fotometragem discutidos acima pode utilizar uma característica chamada de compensação de exposição (EC, sigla que vêm do inglês "Exposure Compensation"). Os cálculos da fotometragem são feitos da mesma forma que antes, mas os resultados finais são compensados pelo valor EC. Isso permite uma correção manual se uma sub ou super-exposição seja repetida consistentemente. A maioria das câmeras permitem até 2 pontos de compensação de exposição; cada ponto de compensação permite dobrar ou dividir pela metade a metragem da luz quando comparada com o que seria medido se a EC não estivesse ligada. Um valor de zero na EC significa que nenhuma compensação será aplicada (esse costuma ser o padrão das câmeras).

A compensação da exposição é ideal para corrigir fotometragens feitas erroneamente pela câmera devido a refletividade do objeto sendo fotometrado.Não importa qual método de fotometragem é utilizado, um sensor de luz embutido na câmera sempre vai erroneamente sub-expor um sujeito como uma pomba branca numa tempestade de neve (ver acima). Fotografias na neve costumam precisar de um ajuste de +1 na EC, imagens de baixo-perfil (low-key), por outro lado, normalmente precisam de compensações negativa.
As vezes é muito útil usar uma EC um pouco negativa (entre 0.3 e 0.5) quando estiver gravando as suas fotografias no modo RAW e em condições de luz complicadas. Isso diminui a chance de aparecerem regiões de alta luz cortadas ('clipped highlights'), mas ao mesmo tempo permite que a exposição seja ajustada posteriormente. Alternativamente, uma EC um pouco positiva pode ser usada para melhorar a razão entre o sinal e o ruído em situações onde a alta luz está longe de ser cortada.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

ENTENDENDO A PROFUNDIDADE DE CAMPO

PROFUNDIDADE DE CAMPO



A profundidade de campo é gama de distâncias em torno do plano focal na qual há nitidez aceitável. A profundidade de campo depende dos tipos de câmeras, aberturas e distância, apesar de também ser influenciada pelo tamanho da impressão e pela distância de visualização da imagem. Essa seção foi pensada para ajudar a melhorar a compreensão intuitiva e técnica de profundidade de campo aplicada na fotografia.




A profundidade de campo não muda em nenhuma região da imagem de modo abrupto, ou seja, em nenhum ponto observa-se transição de nitidez total para desfoque, sempre ocorre uma transição gradual. Na verdade, tudo imediatamente em frente ou atrás do plano de foco já começa a perder nitidez -- mesmo que não percebamos com nossos olhos ou pela resolução da câmera.

Círculo de confusão




Já que não existe um ponto crítico de transição, um termo mais rigoroso chamado de 'círculo de confusão' é usado para definir quanto um ponto precisa estar borrado para ser visto como desfocado. A região onde o círculo de confusão se torna perceptível está fora da profundidade de campo e então não é mais 'aceitavelmente nítida', isto é, está fora de foco. O círculo de confusão acima teve o tamanho exagerado para ficar mais claro; na realidade ele teria um tamanho equivalente a uma pequena fração da área do sensor da câmera.



Quando que um círculo de confusão se torna perceptível aos nossos olhos? Um círculo de confusão aceitavelmente nítido é definido de uma maneira não muito rigorosa como um que não é percebido se observado a uma distância de 30 cm e numa impressão padrão de 20x25 cm.

Depth of Field Markers on a Lens

Considerando essas distância e tamanho, os fabricante de câmera assumem que um círculo de confusão é irrelevante quando não é maior que 0.2mm. Como resultado, os fabricantes de câmera usam esse padrão quando mostram os marcadores de profundidade de campo em lentes (ver imagem ao lado). Na realidade, uma pessoa com uma visão 'normal' pode discernir elementos com 1/3 desse tamanho ou menores, assim o círculo de confusão deve ser ainda menor do que 0.2mm para produzir nitidez aceitável.

Há um círculo de confusão máximo diferente para cada tamanho de impressão e distância de visualização da mesma. No exemplo anterior com os pontos borrados, o círculo de confusão é, na realidade, menor que a resolução da sua tela para os dois pontos mais próximos ao ponto de foco, e por isso eles são considerados dentro da profundidade de campo. Isso significa que a profundidade de campo pode ser baseada em onde o círculo de confusão se torna menor que o tamanho de um pixel do sensor da sua câmera digital.

Note que a profundidade de campo só determina um valor máximo para o círculo de confusão, e não descreve o que acontece em regiões quando elas estão fora de foco. Essas regiões são chamadas de 'bokeh' (do japonês, pronuncia-se 'bou'-'quei'). Duas imagens com profundidade de campo idênticas podem ter bokeh muito diferentes uma da outra, já que isso depende da forma do diafragma da lente. Na realidade, o círculo de confusão não é um círculo, mas normalmente pode ser aproximado por um já que é pequeno próximo ao ponto de foco. Quando ele se torna grande, a maioria das lentes geram uma forma poligonal com algo entre 5 a 8 lados.


Controlando a profundidade de campo



Apesar do tamanho de impressão e a distância de visualização serem fatores importantes que influenciam na aparência do círculo de confusão para os nossos olhos, a abertura e a distância focal são dois elementos chave que determinam quão grande o círculo de confusão será no sensor da sua câmera. Aberturas maiores (números F menores) e distâncias de foco mais próximas produzem profundidades de campo mais rasas. O seguinte teste de profundidade de campo foi feito variando-se a abertura, mas com a distância de foco fixa e com uma lente de 200mm numa câmera digital com um sensor com fator de corte de 1.6X (ou seja, a lente é equivalente a uma de 320mm em uma câmera de 35mm):

f/8.0f/5.6f/2.8

Esclarecendo: distância focal e profundidade de campo



Note como a distância focal não foi mencionada como um fator que influencia a profundidade de campo. Mesmo que as câmeras teleobjetivas aparentem criar uma profundidade de campo muito mais rasa, isso se deve principalmente ao fato delas normalmente serem usadas para fazer com que o sujeito da foto aparente ser maior quando o fotógrafo não consegue se aproximar dele. Se o sujeito ocupar a mesma fração do visor da câmera (magnificação constante) para ambos uma lente grande angular e uma teleobjetiva, a profundidade de campo total é praticamente* a mesma com a distância focal! Isso, é claro, obrigaria a uma proximidade muito maior com a lente grande angular ou uma distância muito grande com a teleobjetiva, como é demonstrado na seguinte tabela:

Distância Focal (mm)Distância de Foco (m)Profundidade de Campo (m)
100.50.482
201.00.421
502.50.406
1005.00.404
200100.404
400200.404

Obs.: Os cálculos de profundidade de campo foram feitos usando-se como referência uma Canon 20D (fator de corte 1.6X), uma abertura de f/4.0 e um círculo de confusão de 0.0206 mm.

Perceba como há realmente uma sutil mudança para as menores distâncias focais. Isso é um efeito real, mas é desprezível quando comparado com a abertura e a distância de foco. Mesmo a profundidade de campo total sendo praticamente desprezível, a fração de profundidade de campo que está em frente e atrás da distância de foco muda com a distância focal, como vemos abaixo:

Distribuição da Profundidade de Campo
Distância Focal (mm)TrásFrente
1070.2 %29.8 %
2060.1 %39.9 %
5054.0 %46.0 %
10052.0 %48.0 %
20051.0 %49.0 %
40050.5 %49.5 %

Isso mostra uma limitação do conceito tradicional de profundidade de campo: ele só leva em conta a profundidade de campo total e não sua distribuição em torno do plano de foco, mesmo que ambos contribuam para a percepção de nitidez. Uma lente grande angular tem uma transição mais gradual da profundidade de campo atrás do plano de foco do que na frente, o que é importante para fotografias de paisagens.

Por outro lado, quando um objeto numa distância fixa é focado a partir de um mesmo local, uma lente com distância focal maior terá uma profundidade de campo menor (apesar das imagens aparentarem algo completamente diferente). Isso é mais próximo ao uso diário dos diferentes tipos de lentes, mas é um efeito devido a magnificação e não distância focal. Lentes com distâncias focais maiores também aparentam ter uma profundidade de campo menores pois eles achatam a perspectiva. Isso resulta em fundos muito maiores relativamente ao primeiro plano -- mesmo se não há mais detalhe. A profundidade de campo também aparenta ser menor para câmeras SLR do que para compactas digitais pois as SLR necessitam menores distâncias focais para atingir o mesmo campo de visão.

*Nota: descrevemos a profundidade de campo como 'quase' constante pois há casos limite onde isso não é verdade. Para distâncias de foco que resultam em maior magnificação, ou muito próximas da 'distância hiperfocal', lentes grande angulares podem ter profundidades de campo maiores que teleobjetivas. Por outro lado, para situações de grande magnificação, os cálculos tradicionais de profundidade de campo se tornam imprecisos por outro fator: magnificação da pupila. Na realidade isso age contra o aumento de profundidade de campo para a maioria das grandes angulares, e a favor para as teleobjetivas e macro. No outro caso limite, próximo da distância hiperfocal, o aumento da profundidade de campo surge devido ao fato das grandes angulares terem maior profundidade de campo atrás do plano de foco, e assim podem alcançar nitidez maior no infinito para qualquer distância de foco.

Calculando a profundidade de campo


Para calcular a profundidade de campo é necessário decidir valores para o máximo círculo de confusão permissível. Isso se baseia tanto no tipo de câmera (tamanho do sensor ou filme) quanto na combinação entre a distância de visualização e o tamanho da impressão.

Cálculos de profundidade de campo normalmente assumem que é necessário haver elementos com tamanho de 0.02cm para que a nitidez seja aceitável (como discutido anteriormente), mas pessoas com visão 20/20 podem ver elementos com 1/3 desse tamanho. Se você usar esse padrão, lembre-se que as partes próximas aos limites do campo podem não estar aceitavelmente nítidas. A calculadora de profundidade de campo abaixo assume esse padrão de visão, mas há outras.

Profundidade de foco


Outra implicação do círculo de confusão é o conceito de profundidade de foco (também chamado de espalhamento de foco). Ele difere da profundidade de campo pois descreve a distância sobre a qual a luz é focalizada no sensor da câmera, em oposição a quanto do sujeito da foto está em foco. Isso é importante pois define a tolerância sobre quão plano deve ser o filme ou o sensor digital para que haja foco em todas as porções da imagem.
Outras notas

Por quê não utilizar a menor abertura (maior número F) para alcançar a maior profundidade de campo? Além do fato de que isso normalmente requer tempos de exposição muito longos e proibitivos sem um tripé, abertura muito pequenas suavizam as imagens criando um círculo de confusão grande (ou "disco de Airy") devido a um efeito chamado de difração -- mesmo dentro do plano de foco. A difração se torna um efeito limitante quando as aberturas diminuem. Apesar de suas profundidades de campo absurdas, normalmente é por isso que as câmeras pinhole têm resolução limitada.

Para fotografia macro (de alta magnificação), a profundidade de campo é influenciada por outro fator: magnificação da pupila. Esse é igual a um para lentes que são simétricas internamente, mas para teleobjetivas é muito menos e para grandes-angulares é muito mais que um. Uma maior profundidade de campo pode ser atingida (em relação ao que se calcula) quando a magnificação da pupila é menos que um, (e não muda quando esse valor é igual a um). O problema é que a magnificação da pupila normalmente não é dada pelos fabricantes de lentes, assim só é possível estabelecê-lo (aproximadamente) visualmente.

terça-feira, 2 de abril de 2013

COMPREENDENDO A NITIDEZ

A nitidez descreve a clareza de detalhes em uma foto, e pode ser uma ferramenta criativa de muito valor para enfatizar texturas. Técnicas apropriadas de fotografia e pós-processamento podem ajudar muito a melhorar a nitidez de uma imagem, mas, em última análise, ela é limitada por alguns elementos principais: equipamento fotográfico utilizado, tamanho de impressão da imagem e distância de visualização. Dois fatores fundamentais contribuem para a percepção de nitidez em uma imagem: resolução e acutância.
AcutânciaResolução
High Acutance ImageLow Acutance ImageHigh Resolution Line PairsLow Resolution Line Pairs
AltaBaixaAltaBaixa
acutância descreve quão rapidamente há transições de informação de imagem em bordas, e assim a alta acutância resulta em transições nítidas e detalhes com bordas bem definidas.
resolução descreve a capacidade da câmera de distinguir entre elementos com detalhes não muito espaçados, como os dois conjuntos de linhas mostrados acima.

Para câmeras digitais, a resolução é limitada pelo seu sensor digital, enquanto que a acutância depende ambos da qualidade das lentes utilizadas quanto da maneira como é feito o pós-processamento da imagem. A acutância é o único aspecto da nitidez que ainda está sob o seu controle depois que a imagem foi feita, então é a acutância que é melhorada quando você aumenta a nitidez de uma imagem por um processo digital.

Comparação

Fotos precisam ter ambas a acutância e a resolução altas para serem ditas 'nítidas'. O exemplo a seguir foi pensado para mostrar melhor como cada uma dessas características influenciam a imagem:
Sharpness Example: Acutance and ResolutionLower Sharpness
Acutância: AltaResolução: Baixa
Lower Sharpness
Acutância: BaixaResolução: Alta
Highest Sharpness
Acutância: AltaResolução: Alta

Propriedades da nitidez

A nitidez também depende de outros fatores que influenciam a nossa percepção visual da resolução e da acutância. O ruído em imagens digitais (ou o grão em filmes) normalmente é prejudicial para a imagem, apesar de pequenas quantidades poderem melhorar a aparência de nitidez. Considere o exemplo a seguir:
Low Appearance of SharpnessHigh Appearance of Sharpness
Pouco ruído, baixa nitidezMais Ruído, maior nitidez


Apesar de nenhuma das imagens terem tido sua nitidez modificadas com uso de software, a da esquerda aparenta ser mais suave e menos detalhada, por ter menos ruído que a outra. O ruído, se for fino e tiver alta acutância, pode enganar os olhos e nos fazer pensar que há detalhes mais nítidos nas imagens.

A nitidez também depende da distância. Imagens que são produzidas para serem vistas de distâncias muito grandes, como posters e outdoors, podem ter uma resolução muito menor que impressões de foto expostas em uma galeria, mas ambas podem ser vistas como nítidas devido a distância. Sempre mantenha isso em mente quando estiver processando as suas imagens, pois o que você precisa não necessariamente é o que tem a melhor aparência na sua tela.

A nitidez também é significativamente afetada pela sua técnica fotográfica. Mesmo as tremidas mais leves podem reduzir dramaticamente a nitidez de uma imagem. Uso de velocidades apropriadas, tripés estáveis e travamento do espelho da câmera também podem ter impacto significativo na nitidez.



Fonte: http://www.cambridgeincolour.com/pt-br/tutorials/sharpness.htm

segunda-feira, 1 de abril de 2013

COMPREENDENDO O BALANÇO DE BRANCO

O BALANÇO DE BRANCO


O balanço de branco (em inglês 'White Balance' ou WB) é o processo de remoção de cores não reais, de modo a tornar brancos os objetos que aparentam ser brancos para os nossos olhos. O correto balanço de branco deve levar em consideração a "temperatura de cor" de uma fonte de luz, que se refere a quão 'quente' ou 'fria' é uma fonte de luz. Nossos olhos (e cérebros) são muito bem treinados para julgar o que é branco em diferentes situações de luz, mas câmeras digitais normalmente encontram grande dificuldade ao fazê-lo usando o ajuste de branco automático ('Auto White Balance' ou AWB). Um balanço de branco incorreto pode gerar imagens 'lavadas' com azul, laranja e mesmo verde; que são irreais e podem chegar a estragar fotografias. Para fazer o ajuste de branco na fotografia tradicional é necessário recorrer ao uso de filtros ou filmes para as diferentes condições de luz, mas, felizmente, isso não é mais necessário na fotografia digital. Compreender como o balanço de branco digital funciona pode ajudá-lo a evitar a aparição de tons indesejados gerados pelo AWB, e assim melhorar suas fotos numa grande gama de condições de luz.



Balanço de Branco Incorreto Balanço de Branco Correto

Introdução: Temperatura de cor

A temperatura de cor descreve o espectro de luz irradiada de um corpo negro com uma dada temperatura. Um corpo negro é, basicamente, um objeto que absorve toda a luz que incide sobre ele -- não deixando que ela seja refletida ou que o atravesse. Uma analogia bem simplificada do que pode ser um corpo negro em nosso dia-a-dia é o aquecimento de um metal ou pedra: dizemos que eles ficam vermelhos quando atingem determinada temperatura, e depois brancos quando ficam mais quentes ainda. De modo similar, corpos negros em diferentes temperaturas também têm temperaturas de cor variáveis de "luz branca". Ao contrário do que o nome pode indicar, 'branca' não necessariamente significa que a luz contém uma distribuição igual de cores ao longo do espectro visível:




A intensidade relativa foi normalizada para cada temperatura (em Kelvins).



Note como 5000K produz aproximadamente uma luz neutra, enquanto 3000K e 9000K produzem espectros luz que estão deslocados e contém mais comprimentos de onda na região do laranja e azul, respectivamente. Conforme a temperatura de cor aumenta, a distribuição de cores se torna mais fria. Isso pode não parecer muito intuitivo, mas vem do fato que comprimentos de onda mais curtos contém mais energia.


Por que a temperatura de cor é uma descrição útil da luz para os fotógrafos, se eles nunca lidam com corpos negros de verdade? Felizmente, as fontes de luz como a luz do dia e lâmpadas de tungstênio produzem distribuições de luz muito parecidas com corpos negros, apesar de outras fontes como luzes fluorescentes e a maioria dos outros tipos de iluminação seja bem diferente. Já que os fotógrafos nunca usam o termo temperatura de cor para se referir a um corpo negro de verdade, o termo mais correto seria "temperatura de cor correlata" de um corpo negro de cor similar. A seguinte tabela é um guia de correlação entre algumas temperaturas de cor e algumas fontes comum de luz:

Temperatura de CorFonte de Luz
1000-2000 K Luz de velas
2500-3500 K Lâmpada de Tungstênio
(as mais comuns em casas)
3000-4000 K Nascer/Pôr-do-sol (céu limpo)
4000-5000 K Lâmpadas Fluorescentes
5000-5500 K Flash
5000-6500 K Luz do dia com céu claro (sol a pino)
6500-8000 K Céu levemente nublado
9000-10000 K Sombra ou céu muito nublado


Na prática: arquivos JPEG e TIFF
Já que algumas fontes de luz não se assemelham a corpos negros, o balanço de branco utiliza uma outra variável além da temperatura de cor: o desvio verde-magenta. Ajustar esse desvio normalmente é desnecessário sob a luz do sol, mas a luz fluorescente e outros tipos de luz artificial podem precisar de um grande ajuste verde-magenta para que o resultado final da imagem seja aceitável.



Balanço de Branco Automático
Personalizado (Custom)
Kelvin
Tungstênio
Fluorescente
Luz do dia
Flash
Nublado
Sombra


Felizmente a maioria das câmeras digitais conta com uma variedade de valores pré-definidos para o ajuste de branco, assim não é necessário lidar com a temperatura de cor ou o desvio verde-magenta enquanto a foto está sendo feita. Os símbolos mais comuns para esses tipos automáticos de ajuste de branco estão na tabela à esquerda.


Os primeiros três ajustes podem ser usados em uma vasta gama de temperaturas de cor. "Auto white balance" (ou o ajuste automático) pode ser encontrado em qualquer câmera digital e utiliza uma algoritmo que tenta calcular a temperatura de cor dentro de um intervalo que normalmente vai de 3000/4000K a 7000K. "Custom white" balance (ou ajuste personalizado) permite que você tire uma foto de um objeto cinza de referência sob a mesma luz que a foto será feita e então ajusta o balanço de branco com base nele. Com o ajuste "Kelvin" é possível dizer a temperatura de cor em uma vasta gama.

Os outros seis ajustes estão listados em ordem crescente de temperatura de cor, mas de muitas câmeras não têm a opção de "sombra" para balanço de branco. Algumas câmeras ainda apresentam a opção "Fluorescente H", que é feita para ser utilizada com as lâmpadas fluorescentes mais recentes, que são calibradas para produzir uma luz mais próxima da luz do dia.

A descrição e símbolos para os balanços de branco listados são apenas estimativas para a luz sob a qual funcionam melhor. Na verdade, "nublado" pode gerar melhores resultados do que "luz do dia" dependendo de fatores no qual a foto é realizada tais como horário e altitude (mesmo o céu estando aberto). Em geral, se a imagem aparece muito 'fria' na pré-visualização da tela LCD da câmera, você pode diminuir a temperatura de cor selecionando um símbolo mais abaixo da lista anterior. Se a imagem continuar muito fria (ou quente se você estiver indo na outra direção), você sempre pode utilizar um valor de temperatura em Kelvin.

Se tudo isso falhar e a imagem ainda não tiver um balanço de branco correto quando inspecionada no computador, você pode modificar os ajustes de balanço de cor do programa de edição de imagens que estiver utilizando para remover predominâncias de cores indesejadas. Alternativamente, você pode utilizar a ferramenta de "Níveis" (ou Levels em inglês) e, com o conta-gotas cinza definir um novo balanço de branco. Esses métodos devem ser evitados pois reduzem drasticamente a profundidade de bits da imagem original.
Na prática: o formato RAW

De longe a melhor solução para fazer o balanço de branco é fotografar utilizando o formato RAW para as suas imagens (se a sua câmera suportar), já que através dele é possível fazer o balanço *depois* que a foto foi tirada. Arquivos RAW também permitem que o balanço seja feito com uma maior gama de valores de temperaturas de cor e desvios de verde-magenta.

Fazer o balanço de brancos em uma imagem RAW é um processo rápido e fácil. Ou você insere valores de temperatura até que a imagem não tenha nenhuma cor incorreta ou seleciona um ponto de referência da imagem (ver seção a seguir). Mesmo se só uma de suas fotos tiver um ponto de referência, é possível utilizá-lo para diversas outras que possam ter sido feitas sob as mesmas condições de luz.
Balanço personalizado: como escolher uma referência neutra

Uma referência neutra normalmente é usada para projetos onde a cor é um componente crítico, ou pra situações onde já se sabe que haverá problemas com o balanço de brancos. Referências neutras podem ou ser partes da cena (se você tiver sorte de captar uma), ou um objeto que você leva consigo. Abaixo vemos um exemplo de uma referência oportuna numa cena que poderia ter se tornado azul demais caso ela não estivesse lá.





Referências portáteis pré-fabricadas são bem mais precisas já que sempre pode-se achar que uma referência numa cena é neutra, mas ela não ser. Cartões de referência neutros especiais para a fotografia podem ser bem caros e difíceis de encontrar, mas também é possível criar um em casa que é razoavelmente aceitável. Uma referência cinza ideal é alguma coisa que reflete todas as cores do espectro da mesma forma e pode fazer isso consistentemente sob uma vasta gama de temperaturas de cor. Um exemplo de uma referência cinza é mostrado abaixo:





Uma material comum e que pode ser encontrado em casa para ser usado como referência são as partes de dentro de lacres de potes como os da batata Pringles. Esses materiais são baratos e razoavelmente precisos, apesar de referências específicas para fotografia serem, obviamente, melhores. Aparatos como esse podem ser utilizados para medir tanto a temperatura de cor incidente como a refletida do objeto sendo iluminado. A maioria das referências medem a luz refletida, mas existem aparelhos, como um medidor de balanço de branco ou "ExpoDisc" que pode medir a luz incidente (e pode obter resultados mais precisos).

Muito cuidado deve ser tomado quando uma referência é utilizada e a imagem gerada contém muito ruído, já que clicar numa região aparentemente cinza pode, na verdade, significar clicar em uma região com pixels coloridos com o ruído:


                     
Pouco Ruído (Cinza suave e sem cor)              Muito Ruído (Manchas de cor)


Se for suportado pelo seu programa de edição, a melhor solução em um caso como esse é balancear a sua imagem utilizando um conta-gotas 'sampleado', ou que usa como base uma média de alguns pixels e não um só.
Notas sobre o balanço de branco automático

Certos sujeitos criam problemas para o aparato de balanço de branco automático das câmeras -- mesmo sob condições normais de luz do dia. Um exemplo é o de uma imagem que contém uma abundância de elementos que são de cores demasiado quentes ou frias. A imagem abaixo ilustra uma situação onde o sujeito é predominantemente vermelho, e assim a câmera acha que há uma predominância indevida dessa cor causada por uma fonte de luz quente. A câmera então tenta compensar esse fato para que a cor média da imagem seja mais próxima de um tom mais neutro, mas ao fazer isso introduz um tom azul indesejado nas pedras. Algumas câmeras digitais são mais suscetíveis a isso do que outras.



Balanço de Branco Automatico Balanço de Branco Personalizado
(O balanço de branco personalizado foi feito usando um cartão de cinza 18% como referência neutra.)


O balanço de branco automático de uma câmera normalmente é mais eficiente quando a foto contém pelo menos um elemento branco. Mas, obviamente, não mude a composição da sua foto somente para que um elemento branco esteja no quadro; simplesmente tenha consciência que esse fato pode causar problemas com o balanço de branco automático. Sem o barco branco na cena abaixo o balanço de branco automático da câmera erroneamente criaria uma imagem com uma temperatura de cor levemente mais quente.



Em luz mista

Diversos objetos iluminados com diferentes temperaturas de cor podem complicar ainda mais o quadro quando se tenta fazer o balanço de branco. Algumas situações podem até não ter um balanço de branco 'correto', e este vai depender de onde a fidelidade de cor é desejada.


Referência: Lua Pedras

Sob luz mista, o balanço de branco automático normalmente calcula uma temperatura de cor média para a cena inteira e usa esse valor para determinar o branco. Essa abordagem pode até ser aceitável, mas o modo automático tende a exagerar a diferença em temperaturas de cor para cada fonte de luz quando comparado com o que vemos com os nossos olhos.

As diferenças exageradas costumam ser mais aparentes quando há uma mistura de luz interior e exterior. Imagens críticas podem vir a necessitar de balanços de branco diferentes para cada região de luz. Por outro lado, algumas pessoas preferem o 'efeito' causado nesses casos e deixam o balanço como está.

Note como o prédio ao lado está quente enquanto que o céu está um tanto frio. Isso acontece pois o balanço de branco foi calculado com base na luz da lua -- o que realçou a temperatura de cor quente da luz artificial do prédio. Um balanço baseado em luz natural normalmente resulta em imagens mais reais. Escolha "pedra" como base para o balanço de branco para verificar como o céu se torna demasiado azul e irreal.

Fonte: http://www.cambridgeincolour.com/pt-br/tutorials/color-black-white.htm